terça-feira, 30 de agosto de 2011

Silêncio

Dormi engasgada. Acordei com a decisão de sonhar em plena realidade, já que no leito não tinha mais graça. Fui então a um lugar lindo - talvez um dos mais lindos do mundo -, onde a calma e a simplicidade se encontram e se encaixam de forma suprema. Primeiramente, resolvi pegar um caminho diferente daquele de sempre. Entrei numa rua de terra enfeitada com grandes árvores. Era a minha primeira vez naquele corredor. Já ali, senti uma sensação diferente, uma energia boa, uma tranquilidade. Ao chegar ao meu destino e me deparar com toda a sua visão, parei e fiquei a olhar aquela imensidão verde, que se movimentava sem cansar. Sentindo a ventania me descabelar, caminhei um bocado, lado a lado com a imensidão. Fui. Voltei. Quando me cansei, enfim, sentei-me. Senti. Senti. E não aguentei. Chorei. Orei. Falei comigo. Meninos jogavam bola a poucos metros. "Bem dita inocência", pensei. Quando a perdemos parece que tudo vai junto. Parece que a gente sucumbe. Parece que o mundo fica coberto por uma fumaça que deprime. Desliguei-me dos meninos. Fechei os olhos por um longo tempo. Aos poucos, uma paz tão desejada, tão querida, foi me invadindo e as batidas do coração desaceleraram. Tentei ler meu pensamento e vi uma sala branca, vazia, muito diferente daquela de horas antes, cheia de rabiscos, toda confusa, na qual as grandes idéias se embaralhavam com decisões e problemas. Eu realmente precisava deste esvaziamento de memória. Eu precisava desta limpeza. Assim, me esqueci das gentes mal educadas, dos engarrafamentos, dos celulares que são feitos de radinhos de pilha, dos atrasos, dos passados, dos adolescentes irritantemente inteligentes e burros ao mesmo tempo, da discussões gratuitas, da minha atual falta de criatividade, do dinheiro contado, de todas as promessas que não são cumpridas. Do limite ao qual cheguei. Limite.

Quero continuar nesse lugar gostoso, mesmo estando bem longe dele.
Se o telefone tocar, diga que não estou.