Foi numa fase de crítico desespero que te conheci.
O engraçado é que foi através da minha mãe.
É mole?
A princípio, não fui muito com a idéia de ter você em minha vida.
Mas minha carência era tamanha.
Não podia te negar, do jeito que estava.
"Ah, por que não?", disse a mim mesma.
Te coloquei no meu cotidiano e apontei pra fé.
Ia te ver todos os dias.
Nossa!
Você era tão chato no início que me dava sono.
Não fazíamos nada de divertido.
Não era a toa que eu lia um monte de livros quando a gente estava junto.
O pior é que você não reclamava do meu descaso.
A única coisa que você sabia era socializar falando putaria o tempo todo.
Rindo e zoando de tudo e todos que nem um garoto de quinze anos.
Aquilo foi me irritando.
Teve uma hora em que a graça das suas gracinhas acabou, mas você continuou com elas.
Ridiculamente!
Pra chamar minha atenção.
Muito, muito ridículo!
A única coisa boa que você me fez foi me ajudar numa época triste.
Você não me deixou cair.
Me distraiu pra eu não ficar pensando no pior.
Me deu esperanças de um futuro mais calmo.
E só.
Ah, claro, você também passou a me dar uma grana.
Só pra ver se eu ficava um pouco feliz.
Não sou de aceitar esse tipo de coisa, assim, desse jeito.
Hoje vejo como você foi é esperto.
Conhece muito bem o poder do dinheiro.
Soube usá-lo para me prender.
Filho da puta!
Você sabia que eu não iria embora por causa da mesada.
Você sabia que eu precisava disto e se aproveitou.
Continuei a ir ao seu encontro todos os dias.
Com o tempo, você passou a não mais me deixar parada.
Me iludia com as notícias dos jornais.
E também com as palavras, com os textos, com a internet.
Tão bobinha eu!
Achava que as coisas entre nós estavam mesmo começando a melhorar.
Comecei até a aceitar tuas pseudo-poesias e texos de exaltação.
Coisas ridículas que você me escreveu!
O que não faz uma coisa (sim, porque é isso que você é!) pra ter uma mulher?
Aí, depois, passou dos limites.
Começou a me encher a porra do saco no fim de semana também.
Queria me ver de biquini na hora em que bem entendesse!
Tava pensando o quê?
Que eu era uma puta como as tantas outras, óbvio!
Daquelas que fazem tudo o que lhe mandam e ficam quietas, né?
Foi só a gente começar a se entender.
Foi só eu começar a ser legal contigo.
Bastou eu me mostrar pra você pra deixar de me levar a sério.
Eu tenho nojo de você, sabia?
Eu tenho nojo da tua pele, dos teus beijos.
Eu sinto nojo da tua cara quando te vejo!
Coisa horrível!
Você me trouxe um asco que nunca senti.
Fez nossa relação se lançar à beira de um abismo.
Disso em diante, caí na real sobre a palhaçada que é você.
Te mostrei o meu lado feroz e você resolveu se vingar.
Sabe aquelas notícias de jornal que me mostrava com paciência?
Então, passou a jogá-las em cima da mesa, com destrato.
Você passou a me destratar de um jeito tão estúpido!
Parou até de me dar aquele dinheiro que fazia tanta questão!
E eu ainda tenho de ficar vendo você rir do que não tem a menor graça.
Tenho de ficar ouvindo aquelas suas risadas forçadas que parecem até de pomba gira!
Ai!!!
Suas grosserias estão acabando comigo, seu verme!
Seu merda!
Seu inútil!
Pensa que pode ficar aí a vida inteira escondendo os seu lado ruim dos outros?
Não, seu merda, você não pode!
Todos já estão sabendo da sua incapacidade.
Eu tenho vergonha de dizer para as pessoas que estou com você.
Tenho medo da reação delas.
Elas odeiam você, com toda razão.
Eu odeio você.
E repito com exclamações.
Eu odeio você!
Eu odeio você!
Eu odeio você!
Porra!!!
Você me atrasou tanto!
Devia se envergonhar em destruir a vida dos outros!
E sabe porque estou escrevendo assim?
Uma frase em baixo da outra?
Essa coisa retardada, que não é prosa nem poesia?
Pra ver se você compreende!
Porque você é burro!
Não sabe ler nem escrever e quando escreve faz estrago!
Come letras e erra nas concordâncias mais banais!
Terrível isso!
É muita ignorância pra mim.
Sou muito pra você.
Demais da conta!
Te traio em pensamento todos os dias.
Você não faz idéia do que me passa na mente.
Nem fazia idéia disso, né, babaca?
Mas logo te deixarei sem remorso algum.
Em breve, muito em breve.
Mais breve do que imagina.
E dessa vez é sério!
Com outro ou sem.
Te deixarei sem olhar pra trás.
Não sentirei saudades, eu sei.
Nunca mais passarei na porta do seu prédio.
Nunca mais passarei pela sua rua.
Nunca mais!
E que se dane o seu ralo dinheiro!
Hoje sei que só serei feliz agindo assim.
Radical e definitivamente.
Minha vida é preciosa demais pra ser destruída por uma catástrofe como você!